quinta-feira, 9 de abril de 2015

A procura por vida extraterrestre inteligente se estende a outro patamar

Astrônomos expandiram a procura por inteligência extraterrestre para um novo patamar, com detectores sintonizados à luz infravermelha. Seu novo instrumento recém começou a fazer varreduras do céu para procurar por mensagens de outros mundos.
“A luz infravermelha seria um meio excelente para comunicação interestelar“, disse Shelley Wright, uma Professora Assistente de Física, na Universidade da Califórnia, em San Diego, que liderou o desenvolvimento do novo instrumento, enquanto estava no Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto. Os pulsos de um poderoso laser infravermelho poderiam ser mais brilhantes do que os de uma estrela, mesmo sendo somente por um bilionésimo de segundo. O gás e a poeira interestelares são transparentes para radiação próxima ao infravermelho, assim estes sinais podem ser visto a grandes distâncias. Também, é necessário menos energia para enviar a mesma quantidade de informação através de sinais infravermelhos, do que seria necessário com luz visível.
A ideia já é de décadas atrás, apontou Wright. Charles Townes, o falecido cientista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cujas contribuições para o desenvolvimento de LED laser o deu o Prêmio Nobel, sugeriu a ideia num trabalho publicado em 1961.
Os cientistas têm procurado por sinais de rádio nos céus, por mais de 50 anos, e expandiram sua procura para o âmbito óptico há mais de uma década. Mas os instrumentos capazes de capturar pulsos de luz infravermelho somente se tornaram disponíveis recentemente.
“Tivemos que esperar“, disse Wright, “para que a tecnologia nos alcançasse. Despendi oito anos esperando e vigiando pelo aparecimento de nova tecnologia.”



O céu ficou limpo para a primeira noite do NIROSETI, no Observatório Lick. Como um fantasma, pode-se ver Shelley Wright, pausando por um momento durante esta foto de exposição prolongada, à medida que o restante da equipe continuava a testar os novos instrumentos dentro da cúpula de observação.
Há três anos, no Instituto Dunlap, Wright adquiriu novos detectores e os testou para ver se funcionavam bem o suficiente para instalá-los num telescópio. Ela descobriu que eles funcionavam. Jérmoe Maire, um associado em Dunlap, “girou os parafuso”, disse Wright, desempenhando um papel chave nas esforços práticos para o desenvolvimento do novo instrumento, chamado de NIROSETI, que significa “near-infrared optical SETI“.
NIROSETI também irá agregar mais informações do que os detectores ópticos anteriores, através da gravação de níveis de luz durante um período, para que os padrões possam ser analisados por sinais em potencial de outras civilizações, um registro que poderia ser revisitado à medida que novas ideias emergirem sobre como os sinais extraterrestres possam ser envidado.
Devido ao fato da luz infravermelha penetrar mais profundamente através do gás e poeira do que a luz visível, esta procura irá se estender às estrelas que estão a milhares, ao invés de meramente centenas de anos luz de distância. E sucesso da Missão Kepler, que tem encontrado planetas habitáveis orbitando estrelas similares e mesmo diferentes da nossa, acionou a nova procura por sinais vindos de uma ampla variedade de estrelas.
NIROSETI foi instalado no Observatório Lick, da Universidade da Califórnia, sobre o Monte Hamilton, ao leste de San Jose, e deu início aos seus trabalhos em 15 de março. O Observatório Lick tem sido o local de pesquisas SETI anteriores, inclusive com um instrumento a nível óptico, o qual Wright construiu como aluna de graduação da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, sob a direção de Remington Stone, diretor de operações do Lick na época.