segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Líderes internacionais saúdam Dilma pela reeleição; veja repercussão

Presidentes e representações de diferentes países saudaram, entre domingo e segunda-feira (27), a vitória de Dilma Rousseff, do PT, sobre o adversário Aécio Neves, do PSDB, no segundo turno das eleições à Presidência. Veja abaixo o que disseram os diferentes líderes:
Alemanha
A chanceler alemã, Angela Merkel, enviou nesta segunda-feira um telegrama para parabenizar Dilma Rousseff pela reeleição como presidente do Brasil, manifestando em texto a possibilidade de manter os laços entre os países.

"A felicito pela reeleição como presidente do Brasil. Me alegrou que possamos continuar nossa cooperação", afirmou Merkel. A chanceler disse também que Alemanha e Brasil estão diante de grandes desafios, expressando que está convicta que "apenas juntos e como parceiros, poderemos superá-los".
"Por isso, tenho grandes expectativas a respeito das primeiras consultas bilaterais germânico-brasileiras no Brasil", completou Merkel.
Argentina
A presidente argentina, Cristina Kirchner, recorreu às redes sociais para saudar a colega brasileira. Em carta dirigida à sua "querida companheira e amiga Dilma" e publicada em sua conta no Facebook, Kirchner comemorou o resultado das eleições no Brasil que, no seu entender, "mostra a sociedade brasileira reafirmando seu compromisso inabalável com um projeto político que garanta crescimento econômico com inclusão social".

"Esta nova vitória representa um passo a mais rumo à consolidação da nossa Grande Pátria sul-americana, à qual tanto empenho temos dedicado desde nossas funções no governo e da militância de uma vida inteira", afirmou Kirchner.
Para a presidente argentina, a reeleição de Dilma "ajudará a continuar no caminho que Argentina e Brasil empreenderam em 2003, quando assumiram seus respectivos mandatos os ex-presidentes Néstor Kirchner e (Luiz Inácio) Lula da Silva, e que agora, sob nossa responsabilidade, continua servindo de inspiração ao mundo como alternativa de desenvolvimento com ênfase nas necessidades e aspirações dos nossos povos".
"Diante do início deste segundo mandato, quero te enviar o apoio incondicional e a amizade desta presidenta e da Nação Argentina para que sigamos avançando juntos para um futuro melhor para os nossos povos", concluiu a carta.
Salvador Sánchez Cerén acena para o público durante sua cerimônia de posse presidencial em San Salvador, em El Salvador (Foto: Jose Cabezas/AFP)Salvador Sánchez Cerén (Foto: Jose Cabezas/AFP)
El Salvador
De El Salvador, o presidente e ex-comandante de guerrilha, Salvador Sánchez Cerén, parabenizou Dilma pela vitória.

"Parabéns à presidente Dilma Rousseff e ao povo brasileiro pela vitória eleitoral neste dia", escreveu o presidente em sua conta no Twitter.
"Dia de festa no Brasil e na América Latina: nossos povos decidiram continuar construindo seu bem-estar e felicidade", acrescentou Sánchez Cerén, que na passada guerra civil de 12 anos (1980-1992) fez parte do comando geral da esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).
Presidente equatoriano Rafael Corre revelou que conversou com o vice-presidente dos EUA sobre asilo político a Snowden (Foto: AP)Presidente equatoriano Rafael Correa  (Foto: AP)
Equador
No Equador, o presidente Rafael Correa, comemorou, em sua conta no Twitter, a "maravilhosa vitória de Dilma no Brasil". "Nosso gigante continua com o Partido dos Trabalhadores", continuou Correa. "Parabéns, Dilma, Lula, Brasil".

"Saudamos a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, por sua vitória eleitoral de hoje", comentou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, também usando o microblog.
O ministro destacou, ainda, que a "esquerda continua consolidando-se na nossa América".
Obama durante evento em que assinou as medidas para reforçar a segurança nas operações do sistema financeiro dos Estados Unidos (Foto: Saul Loeb/AFP)Barack Obama (Foto: Saul Loeb/AFP)
Estados Unidos
O presidente Barack Obama parabenizou Dilma nesta segunda-feira e pediu que sejam reforçados os vínculos com o Brasil, "um importante aliado dos Estados Unidos". Obama vai telefonar para Dilma nos próximos dias para parabenizá-la, indicou a Casa Branca.

O presidente americano também deseja conversar com sua colega brasileira sobre a possibilidade de "reforçar a colaboração para a segurança mundial e o respeito aos direitos humanos, assim como aprofundar a cooperação bilateral em setores como educação, energia e, inclusive, comércio".
"O Brasil é um parceiro importante para os Estados Unidos e estamos comprometidos a continuar trabalhando com a presidente Dilma Rousseff para estreitar nossas relações bilaterais", acrescenta o comunicado.
Neste domingo, a secretária-assistente de Estado para Relações no Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Roberta Jackson, já tinha parabenizado a presidente. "Parabéns, Dilma, pela vitória nas eleições do Brasil. Esperamos continuar nossa parceria bilateral", escreveu no Twitter.
França
O governo da França cumprimentou, nesta segunda-feira (27), a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição. "A França deseja trabalhar em estreita cooperação com o governo brasileiro para impulsionar a parceria estratégica entre os dois países em todos os âmbitos", declarou o Ministério das Relações Exteriores da França em comunicado.

O governo francês lembrou que a relação com o Brasil gira em torno de três prioridades: reforçar o diálogo político relativo ao clima, aumentar os vínculos comerciais e de investimento, e dinamizar a cooperação de intercâmbios universitários.
Dilma, reeleita a mais quatro anos de mandato pelo PT, venceu as eleições ao obter 51,64% dos votos válidos contra 48,36% do candidato do PSDB, Aécio Neves, no segundo turno realizado no domingo.
O presidente russo Vladimir Putin fala após o 10º Encontro Ásia-Europa em Milão, na Itália (Foto: AFP Photo/Vasily Maximov )
O presidente russo Vladimir Putin 
(Foto: AFP Photo/Vasily Maximov )
Rússia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também parabenizou nesta segunda-feira Dilma por sua reeleição e destacou que a vitória nas urnas é uma prova do respaldo popular a suas políticas, informou o Kremlin.

Em seu telegrama, Putin manifestou que "os resultados da votação demonstram que a população apoia a política de Dilma Rousseff que procura o desenvolvimento econômico do país e o fortalecimento de suas posições internacionais", detalhou o comunicado da presidência russa.
O presidente russo avaliou como muito boa a atenção que Dilma presta ao !fortalecimento da associação estratégica russo-brasileira!.
Putin confirmou a disposição da Rússia de continuar o "diálogo construtivo e o trabalho conjunto para aumentar a cooperação bilateral em todos os âmbitos, assim como a interação na ONU, no G20 (países desenvolvidos e emergentes), nos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e em outras estruturas multilaterais"
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em imagem de arquivo. (Foto: Arquivo / Reuters)
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
(Foto: Arquivo / Reuters)
Venezuela
"Vitória de Dilma no Brasil. Vitória do Povo. Vitória de Lula e seu legado. Vitória dos povos da América Latina e do Caribe", escreveu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em sua conta oficial no Twitter, pouco depois de divulgados os primeiros resultados que deram a vitória a Dilma.

A Venezuela, desde 1999 governada por um modelo socialista, tem no Brasil um de seus principais aliados políticos e comerciais.
"Parabéns, Dilma, pela sua coragem e valentia diante de tanta maldade, o povo do Brasil não falhou à História, mil abraços fraternos (...). Dilma venceu a guerra suja e a mentira. Pôde mais a verdade de 12 anos de um povo que olha para o futuro com esperança... Parabéns", acrescentou Maduro.
Cristina Kirchner publicou carta para Dilma após a confirmação da reeleição da colega brasileira (Foto: Reprodução/CFKargentina.com)Cristina Kirchner publicou carta para Dilma após a confirmação da reeleição da colega brasileira (Foto: Reprodução/CFKargentina.com)

Nordestinos são xingados devido à reeleição da presidente Dilma


Como aconteceu nas eleições de 2010 e no primeiro turno deste ano, uma enxurrada de ataques e xingamentos contra moradores do Nordeste foram vistas nas redes sociais. Região do país em que a petista Dilma Rousseff teve maior vantagem sobre o tucano Aécio Neves, a região foi classificada como "vergonha nacional". Houve até quem sugerisse que o Nordeste fosse "entregue" a Cuba.

Entre outras colocações, estão as que alegam ser ruim a educação do povo de todo o Nordeste, algo que teria influenciado a escolha pelo PT. Comentários como "Dilma não dá estudo para o povo do Nordeste de propósito" marcaram presença no Twitter. Aécio Neves venceu no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Apesar das críticas, Minas Gerais, estado que o tucano governou, também deu preferência à petista. Como de praxe, o Bolsa Família foi considerado "culpado" pela reeleição.

Alguns usuários sugeriram a separação do Nordeste do resto do país. Ofensas pessoais também marcaram presença. "Essa b.", "essa m." foram algumas dos xingamentos dirigidos aos nordestinos.

Dilma ganhou por mérito próprio

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, saúda simpatizantes, ao votar em seção eleitoral em Porto Alegre, RsA presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, saúda simpatizantes, ao votar em seção eleitoral em …

Dilma ganhou na urna por um triz, mas por mérito próprio. Seu principal mérito, ou de sua campanha, foi o de ter elevado a avaliação positiva de governo, de um índice de 32% de ótimo-bom (antes da propaganda na TV) para 46% na véspera das eleições, conforme o Ibope. A aprovação de como ela governa o país saltou de 47% para 58%. Com esses índices, talvez tenha indagado o eleitor, por que mudar?
 Quando começou a campanha a baixa aprovação ao governo, que despencou após as manifestações de junho de 2013, era vista como o calcanhar de Aquiles de Dilma. Isto, aliado ao desejo por mudança expresso por mais de 70% dos eleitores nas pesquisas, colocava Dilma como uma candidata que dificilmente enfrentaria com sucesso um segundo turno. Os acontecimentos tomaram outro rumo. Foi uma vitória apertada, mas inconteste.
 De alguma maneira a campanha de Dilma convenceu a maioria dos eleitores de que ela expressa a mudança que se quer no país, mudança que segundo a narrativa governista na TV começou em 2002 com a eleição de Lula e significa (em termos amplos) uma longa caminhada rumo a um país socialmente menos desigual. Goste-se ou mão, acredite-se ou não nisso, foi a mensagem abraçada pela maioria dos eleitores.
 Da disputa sai o país dividido? Acredito que não.
 Há muitas divergências no Brasil, é claro. Talvez fragmentação traduza melhor a realidade  política do que “divisão”, pois esta palavra carrega em si uma carga de conflito que vai além da resolução por vias pacíficas ou democráticas. O Brasil não vive uma situação de conflagração nesses termos (isto envolveria certamente choques de interesses econômicos sequer aventados em 2014). Viveu, isso sim, três meses de vivência democrática, que em nosso país, como muita coisa, é também carnavalizada, nos seus arroubos, encenações públicas e exageros, tão nossos.
 Nos próximos dias viveremos a nossa quarta-feira de cinzas da campanha eleitoral. A vida continua, com suas belezas e dificuldades.
Arte: Sabrina Cessarovice/Yahoo Brasil

Arte: Sabrina Cessarovice/Yahoo Brasil