quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Nasa está a caminho da lua-oceano

POR SALVADOR NOGUEIRA

Atendendo ao clamor popular americano — se é que o Congresso é mesmo a casa do povo –, a Nasa finalmente decidiu abraçar uma causa que empolga astrobiólogos no mundo inteiro há décadas. Este ano, a agência espacial americana formalizou a criação de uma missão a Europa, a lua oceânica de Júpiter. Trata-se de um dos mais promissores locais para a busca por vida extraterrestre no Sistema Solar.
Nasa planeja missão dedicada a Europa, que tem um oceano global sob o gelo. (Crédito: Nasa)
Nasa planeja missão dedicada a Europa, que tem um oceano global sob o gelo. (Crédito: Nasa)
Já faz alguns anos que os congressistas têm tentado empurrar o projeto, mas a Nasa é uma agência controlada pelo Executivo, e não adianta nada o Congresso incluir recursos para uma missão específica se os responsáveis pelo programa espacial não o abraçarem. Pois bem. Anteontem, ao apresentar a proposta de Orçamento para a Nasa em 2016, o governo por fim cedeu às pressões. O administrador da agência espacial, Charles Bolden, chegou a mencionar o projeto em sua apresentação.
“Olhando para o futuro, estamos planejando uma missão para explorar a fascinante lua de Júpiter Europa, selecionando instrumentos nesta primavera [outono, no hemisfério Sul] e seguindo adiante com a próxima fase do trabalho”, afirmou.
Para 2016, a Nasa solicita US$ 30 milhões para trabalhar no projeto. Quando o Orçamento passar pelo Congresso, que já há três anos tenta empurrar a ideia, esse valor deve aumentar. Como padrão de comparação, em 2015 a agência solicitou US$ 15 milhões para explorar possíveis opções e conceitos para a missão, e os congressistas inflaram a cifra para US$ 100 milhões.
Com esse movimento todo, 2015 deve ser o ano em que a missão a Europa ganhará contornos oficiais. Estamos mesmo a caminho da lua joviana.
POR QUE EUROPA?
O interesse nesse satélite de Júpiter decorre de uma descoberta primeiro sugerida pela passagem das sondas Voyager, entre 1979 e 1980, e mais tarde confirmada pela sonda Galileo, na década de 1990: Europa possui um oceano de água salgada, sob sua crosta de gelo.

O que os cientistas imaginam que seja a estrutura interna de Europa. (Crédito: Nasa)
O que os cientistas imaginam que seja a estrutura interna de Europa. O azul é o oceano global. (Crédito: Nasa)
Você pode muito bem dar uma de Chefe O’Hara e perguntar: “Como é que pode ser verdade uma coisa dessas, hein, Bátiman?” Ocorre que, apesar de estar muito longe do Sol, numa região em que o nível de radiação solar é insuficiente para conservar água em estado líquido, a lua sofre com o poderoso efeito de maré produzido por Júpiter e pela atração gravitacional das luas vizinhas, Io (mais interna) e Ganimedes (mais externa). Resultado: o “vai-pra-lá-vem-pra-cá” da maré é suficientemente forte para aquecer e derreter o gelo nas camadas internas da lua — vários quilômetros abaixo da superfície.
Sob o oceano, imagina-se uma superfície rochosa, como a que existe no fundo do mar na Terra. Ou seja, tirando pelo fato de que o oceano europano é completamente escuro, ele deve ser bem parecido com os do nosso planeta. Não é difícil imaginar por que ele é tido como um dos melhores lugares para a busca por vida. A julgar pelo que compreendemos do sistema joviano, o oceano de Europa deve ter existido tal como está hoje pelos últimos 4 bilhões de anos. Tempo mais do que suficiente para o surgimento de formas biológicas, ainda que a pequena quantidade de nutrientes e a ausência de criaturas fotossintetizantes possa ter limitado serveramente essa biosfera a criaturas unicelulares.
De toda forma, há motivo mais do que suficiente para ir até lá.
(Para ler mais sobre as possibilidades de vida em Europa, e no resto do Universo, por que você não dá uma olhada no meu último livro, “Extraterrestres”, disponível em livrarias, bancas de jornal e em formato digital?)
A MISSÃO
Nessa primeira missão dedicada, a ideia é fazer estudos orbitais para caracterizar detalhadamente a lua. O conceito que tem sido trabalhado pela Nasa envolve uma espaçonave que entrará em órbita de Júpiter. Inicialmente, o desejo era que o veículo orbitasse Europa, mas há um problema: a região que a lua ocupa no sistema joviano está bem dentro do cinturão de radiação gerado pelo campo magnético do planeta gigante. O ambiente é tão agressivo que os cientistas teriam de gastar praticamente toda a massa disponível para a espaçonave só para escudar seus sistemas eletrônicos.

A alternativa mais simples é colocar a sonda em órbita de Júpiter, fazendo apenas aproximações rápidas e periódicas de Europa. A espaçonave entra no cinturão de radiação, faz as medidas, bate as fotos e sai em seguida, para repetir o procedimento de novo e de novo, em futuras aproximações. Não é tão bom quanto entrar em órbita da lua, mas é quase tão bom quanto, com a vantagem de facilitar muito na hora de projetar a sonda e seus instrumentos.
Uma das coisas mais intrigantes sobre Europa é que, no ano retrasado, cientistas acreditam ter detectado, com o Telescópio Espacial Hubble, plumas de vapor d’água sendo ejetadas do hemisfério sul da lua. Isso significa que a água do oceano pode ocasionalmente “vazar” para o espaço, onde poderia ser analisada por uma sonda em órbita.
Concepção artística de pluma de água ejetada de Europa (Crédito: Nasa)
Concepção artística de pluma de água ejetada de Europa (Crédito: Nasa)
Os astrônomos continuam de olho, para ver se detectam novas plumas — não só para confirmar o achado original de 2013, mas também para ajudar a guiar a escolha de instrumentos que possam investigá-las de perto. É importante notar que a sonda Galileo, após passar anos no sistema joviano, não viu nada que indicasse o fenômeno.
O fato de que a Nasa começou a se mexer sobre Europa é extremamente empolgante. Trata-se de um dos mais facinantes lugares do Sistema Solar e certamente esta será apenas a primeira de muitas missões científicas dedicadas à lua joviana. Quem sabe não estão lá, na superfície ou no subsolo, as respostas que procuramos para finalmente aplacarmos nossa solidão cósmica?

Mistério de “força desconhecida” que matou esquiadores completa 56 anos sem explicação




Um mistério em torno da morte de nove pessoas - sete homens e duas mulheres - em uma montanha da Rússia acaba de completar 56 anos. No dia 2 de fevereiro de 1959 ocorreu a trágica e inexplicável morte de um grupo de esquiadores no que ficou conhecido como Incidente do Passo Dyatlov. As mortes ocorreram ao norte dos montes Urais, na costa leste da montanha Kholat Syakhl, cujo nome significa Montanha dos Mortos na linguagem mansi, povo da região. O nome Dyatlov é por conta do líder do grupo Igor Dyatlov. De acordo com investigações posteriores, todos foram vítimas de “forças desconhecidas”.

A expedição
O objetivo da expedição era alcançar o topo da montanha Otorten, considerado um desafio difícil, porém todos os integrantes do grupo possuíam experiência em escaladas. Com a ajuda das anotações de viagem, foi possível, identificar a rota do grupo até o dia da tragédia. No dia 1o. de fevereiro, o tempo na montanha piorou, os esquiadores se perderam - provavelmente se separam -  e resolveram montar acampamento.
A partir dali, provavelmente, começou uma sequência de horrores causada por algo desconhecido. Sem sinal dos esquiadores, as buscas tiveram início no dia 20 de fevereiro. Seis dias depois, foram encontrados os primeiros corpos. Eles estavam apenas com roupas íntimas, indicando que os esquiadores estavam dormindo e tentaram fugir de alguma coisa ameaçadora. Estima-se que naquela noite a temperatura deveria estar em torno de -25 C e -30 C graus.
Próximo dali, entre 300 e 630 metros, foram encontrados, outros três corpos. Pela maneira que estavam dispostos, a hipótese é de que estivessem tentando voltar às barracas. Os outros quatro esquiadores só foram encontrados mais de dois meses depois, no dia 4 de maio, sob quatro metros de neve.

O que aconteceu?
Mais tarde, uma investigação constatou que ao menos quatro dos esquiadores receberam ferimentos fatais - dois no crânio e dois no tórax. Um dos corpos estava sem a língua. O que espantou os investigadores foi a força usada nestes ferimentos, praticamente impossível para um ser humano. Os corpos não tinham machucados externos e pareciam ter sido submetidos a uma grande pressão. Para adicionar mais mistério à história, também foi encontrado um alto índice de radiação nas roupas dos esquiadores.
De início, suspeitou-se que as mortes tivessem sido causadas pelo povo indígena Mansi, porém não havia qualquer tipo de pegadas ali, a não ser as dos esquiadores. Nos ano 90, pessoas envolvidas na investigação revelaram que houve relatos naquela época de que "esferas voadoras brilhantes" foram avistadas na área, mas nada pode ser comprovado - anos mais tarde, foi divulgado que as luzes foram causadas por testes de mísseis balísticos R-7. Sem ter como resolver o caso, a investigação final apontou que o grupo morreu vítima de "força desconhecida" e o caso foi arquivado. O incidente só veio à tona na década de 1990.
Nova teoria
No ano passado, o produtor de cinema e de TV norte-americano  Donnie Eichar divulgou uma teoria após cinco anos de pesquisa. De acordo com ele, o grupo estava na hora errada e no lugar errado e se deparou com a chamada “tempestade perfeita”. Segundo Eichar, o fenômeno é um minitornado violento que produz um ruído ensurdecedor, que pode gerar uma grande quantidade de infrassom, capaz causar vibrações no corpo humano, provocando perda de sono, falta de ar e, acima de tudo, um pânico indescritível e incontrolável. O terror, amplificado pela escuridão da noite e do barulho do tornado, teria levado os jovens à loucura e à morte.
Teorias à parte, morreram misteriosamente Igor Dyatlov, o líder da expedição, com 23 anos; Zinaida Kolmogorova, 22; Ljudmila Dubinina, de 23 anos, que foi encontrado sem língua; Aleksandr Kolevatov, 24; Rustem Slobodin, 23; Jurij Krivoniščenko, 24; Jurij Dorošenko, 21; Nikolaj Tibo-Brin'ol ', 37; Alexander Zolotarev, que em 2 de fevereiro havia completado 38 anos.

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