terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sonda Rosetta sobrevoa cometa Churyumov-Gerasimenko

  • Imagem feita em 9 de fevereiro pela câmera de navegação da sonda Rosetta capta imagem do cometa 67P-Churyumov-Gerasimenko a uma distância de 105 quilômetros, mostrando parte do núcleo encoberto por jatos de poeira e gás. A imagem foi divulgada no dia 14 de fevereiro
    Imagem feita em 9 de fevereiro pela câmera de navegação da sonda Rosetta capta imagem do cometa 67P-Churyumov-Gerasimenko a uma distância de 105 quilômetros, mostrando parte do núcleo encoberto por jatos de poeira e gás. A imagem foi divulgada no dia 14 de fevereiro
A sonda europeia Rosetta voou este sábado (14) muito perto do cometa 67-Churyumov/Gerasimenko, cuja atividade cresce ao se aproximar do sol.

A própria Rosetta informou sobre o ocorrido em sua conta no Twitter, gerenciada pela Agência Espacial Europeia (ESA). Informou que enviaria os dados de seu voo "o quanto antes" e que as primeiras imagens da câmera de navegação NAVCAM estariam disponíveis na segunda-feira.

"Agora estou me afastando do cometa. Na terça-feira (17) estarei a 253 quilômetros dele!", disse Rosetta.

A sonda chegou a ficar a apenas seis quilômetros da superfície deste cometa, que libera cada vez mais gás e poeira a medida que esquenta.

"Mas ainda não está muito ativo", diagnosticou, há alguns dias, Sylvain Lodiot, que dirige as operações da sonda no Centro Europeu de Operações Espaciais em Darmstadt, Alemanha.

O objetivo deste voo a pouca distância era permitir que os instrumentos de Rosetta "fizessem fotos e realizassem um espectro da superfície com uma resolução jamais conseguida até o momento", segundo a ESA.

Também deveria permitir coletar amostras da "cabeleira" (nuvem de poeira e gás) do cometa Churyumov-Gerasimenko para entender como é formada.

A sonda Rosetta viajou durante 10 anos até se encontrar com o cometa e soltar o robô Philae sobre sua superfície, em meados de novembro.

Após este "encontro de Dia dos Namorados", Rosetta seguirá realizando uma série de voos nos arredores do cometa, a uma distância que será determinada por sua atividade.

A atividade deve aumentar durante os próximos meses enquanto o cometa se aproxima de seu periélio, o ponto em que se encontra mais próximo do sol. Churyumov-Gerasimenko deve alcançá-lo em 13 de agosto, quando estará a 186 milhões de quilômetros do astro.

Enquanto isso, Philae está "hibernando" sobre o cometa. O robô reiniciou duas vezes após sua aterrissagem e caiu numa zona com pronunciado relevo que lhe faz sombra. Não recebe, portanto, luz suficiente para recarregar suas baterias solares e voltar a funcionar.

Os instrumentos de Rosetta não conseguiram localizá-lo com precisão, mas os especialistas esperam que ele acorde no mês de março.

Drones buscam vestígios de civilizações antigas na Amazônia



Jonathan Amos

Correspondente de Ciência da BBC News, de San Jose

Cientistas britânicos vão usar um drone para fazer varreduras na Amazônia brasileira e procurar vestígios de civilizações antigas.

O avião não-tripulado que será enviado para a região é equipado com um laser que analisa e procura por áreas onde podem ter existido construções há milhares de anos.

O objetivo do projeto é determinar qual era o tamanho destas comunidades milenares e até que ponto elas alteraram a paisagem local.

Os pesquisadores anunciaram a iniciativa durante a reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), na cidade de San Jose, na Califórnia.

O projeto, uma parceria entre agências e instituições do Brasil e Europa, já conseguiu uma verba de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) do Conselho Europeu de Pesquisa.

Dependendo dos dados obtidos, eles também podem ser usados para a elaboração de políticas de uso sustentável da floresta.

Mas a questão mais importante é tentar compreender a escala e as atividades das populações que viveram na Amazônia no final do período antes da chegada dos europeus à América, ou seja, os últimos 3 mil anos antes de 1490.

Padrões no solo

A equipe internacional vai tentar encontrar na Amazônia os chamados geoglifos, que são desenhos geométricos grandes feitos no chão.

Mais de 450 destes geoglifos, em vários formatos geométricos, foram encontrados em locais onde ocorreu desmatamento.

Mas até hoje ninguém sabe exatamente o que estes círculos, quadrados e linhas representam - há indícios de que fossem centros cerimoniais.

No entanto, o que se sabe é que eles são provas de um comportamento coletivo.

"É um debate acalorado agora na arqueologia do Novo Mundo", afirmou Jose Iriarte, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.

"Enquanto alguns pesquisadores acreditam que a Amazônia foi habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores ou então por pequenos grupos de cultivavam apenas para a subsistência, que tiveram um impacto mínimo no meio ambiente, e que a floresta que vemos hoje foi intocada por milhares de anos, há cada vez mais provas mostrando que este pode não ser o caso."

"Estas provas sugerem que a Amazônia pode ter sido habitada por socieades grandes, numerosas, complestas e hierárquicas que tiveram um grande impacto no meio ambiente; o que nos chamamos de 'hipótese do parque cultural'", disse o cientista à BBC.

Drone e satélite

O projeto de Iriarte prevê o sobrevoo do drone por algumas áreas da floresta que servirão de amostra.

O laser acolpado ao drone vai procurar geoglifos estão escondidos em regiões ainda não desmatadas.

Parte da luz deste laser, chamado de "lidar" ("light-activated radar", ou radar ativado pela luz, em tradução livre) consegue ultrapassar a barreira das folhas das árvores.

Serão feitas várias inspeções e, se a existência dos geoglifos for confirmada, os cientistas vão tentar determinar mudanças específicas que foram deixadas no solo e na vegetação pelos antigos habitantes.

Estas "impressões digitais" poderão ser buscadas por imagens de satélites, possibilitando uma busca em uma área muito maior da Amazônia, maior do que com o pequeno drone.

E, a partir deste projeto será possível avaliar como a Amazônia pode ser gerenciada de forma sustentável. Segundo Iriarte, não é possível especular quais seriam as mudanças futuras aceitáveis na Amazônia se não existir uma compreensão completa de como a floresta foi alterada no passado.

"Queremos ver qual é a pegada humana na floresta e então formar uma política (de uso), pois pode ser o caso de que a biodiversidade que queremos preservar seja o resultado de uma manipulação no passado desta floresta", explicou.

Névoa misteriosa em Marte intriga cientistas

Equipe de pesquisadores tenta entender origem dessa espécie de 'neblina' que foi descoberta por astrônomos amadores.


 Damian Peach foi um dos primeiros astrônomos amadores a capturar imagens do fenômeno (Foto: Grupo Ciencias Planetarias (GCP) - UPV/EHU)
Damian Peach foi um dos primeiros astrônomos amadores a capturar imagens do fenômeno: névoa é vista no detalhe (Foto: Grupo Ciencias Planetarias (GCP) - UPV/EHU/Nature)
Uma descoberta feita por astrônomos amadores que passam horas estudando Marte deixou cientistas com a pulga atrás da orelha.
Descoberta pela primeira vez em 2012, uma espécie de névoa apareceu orbitando ao redor do planeta apenas uma outra vez e depois desapareceu.
Ao analisar imagens da misteriosa neblina, os cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) descobriram que ela é a maior já vista e se estende por mais de 1.000 quilômetros.
Em artigo publicado na revista "Nature", eles dizem que a pluma poderia ser uma grande nuvem ou uma aurora excepcionalmente brilhante. Mas deixam claro que ambas as hipóteses são difíceis de serem comprovadas.
"Essa descoberta traz mais perguntas do que respostas", disse Antonio Garcia Munoz, cientista da Agência Espacial Europeia.
Telescópios
Em todo o mundo, uma rede de astrônomos amadores mantém seus telescópios calibrados para analisar o “planeta vermelho”.

Eles viram essa misteriosa formação pela primeira vez em março de 2012, logo acima do hemisfério sul de Marte.
Damian Peach foi um dos primeiros astrônomos amadores a capturar imagens do fenômeno.
"Eu notei essa formação saindo ao lado do planeta, mas eu primeiro achei que havia um problema com o telescópio ou câmera”, disse.
"Mas, à medida que eu ia verificando as imagens de perto, percebi que era algo real - e foi uma grande surpresa."
A neblina brilhante durou cerca de 10 dias. Um mês mais tarde, ela reapareceu e perdurou o mesmo período de tempo. Mas nenhuma formação do tipo foi vista desde então.
Nuvens
Os cientistas que comprovaram o fenômeno buscam agora uma explicação para ele, mas, por enquanto, só têm hipóteses.

Uma teoria é a de que a névoa é uma nuvem de dióxido de carbono ou partículas de água.
"Sabemos que há nuvens em Marte, mas até hoje elas foram observadas apenas até uma altitude de 100 km", disse Garcia Munoz.
Segundo ele, a misteriosa névoa está bem acima dessa altitude, o que coloca em xeque essa possibilidade.
Outra explicação é a de que esta ela é uma versão local das auroras polares.
"Nós sabemos que nesta região em Marte nunca foram relatados auroras antes”, disse Muñoz. “Além disso, a intensidade registrada nessa névoa é muito, mas muito maior do que qualquer aurora já vista em Marte ou na Terra.”
Para o cientista, se qualquer uma dessas teorias estiver certa, isso significaria que a nossa compreensão da atmosfera superior de Marte está errada.
Ele espera que, ao publicar o estudo, outros cientistas também colaborem com explicações para o fenômeno. Mas, se isso não ocorrer, os astrônomos terão de esperar para as névoas retornarem à Marte.
Fotos de telescópios ou naves que estão atualmente em órbita ao redor do planeta também podem ajudar a desvendar esse mistério.