escritor poeta, radialista,

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

EUA temem que China oculte contatos com extraterrestres

John Gertz, ex-presidente do conselho do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), organização de pesquisa científica dedicada à busca de sinais de inteligência extraterrestre, manifestou preocupação com a participação da China no projeto, em relatório publicado recentemente. Entenda por quê.

O relatório de Gertz sobre a questão está disponível na biblioteca virtual arXiv.org da Cornell University Library e foi aceito para publicação na revista Journal of the British Interplanetary Society (JBIS).
Além do SETI, a China participa igualmente do programa METI (Messaging Extraterrestrial Intelligence), que envolve a emissão de sinais de nossa existência na Terra para possíveis civilizações alienígenas que porventura estejam de "ouvidos abertos" à procura de vida inteligente. De acordo com Hertz, porém, isso pode ser perigoso para a humanidade, além de ilegal.
"De acordo com o artigo IX do Tratado sobre o Espaço, o METI poderia ser considerado ilegal. (…) A liberação imediata das coordenadas de uma transmissão implora por uma resposta não autorizada e prematura. Grupos religiosos podem enviar suas mensagens paroquiais, enquanto Kim Jong-un pode enviar as suas", diz o autor.
Segundo ele, a presença chinesa nos dois projetos tem sido fonte de preocupação para os EUA devido à suposta capacidade da China de detectar sinais de civilizações extraterrestres e à perspectiva de uma suposta ocultação perante a comunidade internacional, por parte de Pequim, de informações recebidas do espaço.
"Os regulamentos que regem o METI são fracos ou inexistentes. Os protocolos pós-detecção [de sinais alienígenas] do SETI não obrigam a nada e são demasiado gerais. As capacidades ampliadas do SETI, o envolvimento da China no campo e os esforços intensificados dos 'METI-istas' para iniciar transmissões de rádio às estrelas estão entre as razões citadas para a urgência de se abordar a questão dos regulamentos apropriados. As recomendações incluem regulamentos em nível da agência e leis em nível nacional, assim como tratados internacionais e supervisão", escreve Gertz.
Outros temores explicitados pelo analista estão ligados à inauguração de um dos maiores radiotelescópios do mundo, localizado na China. O país já anunciou que o observatório vai tomar parte no projeto Breakthrough Listen, iniciativa de 100 milhões de dólares patrocinada pelo físico britânico Stephen Hawking e pelo magnata russo Yuri Milner para procurar vida extraterrestre inteligente no Universo. 
Para preparar a humanidade para os possíveis riscos de um contato com os extraterrrestres, Gertz também propõe limitar o poder dos principais transmissores do planeta, a saber, o Observatório de Arecibo (Porto Rico), o complexo de Goldstone (Califórnia) e o 40º complexo de controle e medição da Crimeia.
"O METI não é o SETI. Tem sido autorizado a proceder ao seu próprio ritmo e sem supervisão simplesmente porque o público em geral e os encarregados de formular suas políticas ainda têm que se dar conta da importância e da seriedade da sua arrogância. O mundo deve despertar para as suas possíveis consequências", adverte o autor do relatório.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

NASA poderá ter identificado “pirâmides do passado” do planeta anão Ceres

O solitário monte piramidal Ahuna fotografado pela sonda Dawn no planeta anão Ceres
O solitário monte piramidal Ahuna fotografado pela sonda Dawn no planeta anão Ceres

O monte piramidal Ahuna, localizado no planeta anão Ceres, provavelmente não é o único criovulcão na sua superfície. Os astrónomos encontraram traços de outros vulcões mais antigos nas fotografias tiradas pela sonda Dawn, da NASA.
As primeiras fotografias de Ceres, tiradas pela sonda Dawn em março de 2015 depois de uma aproximação ao planeta anão, revelaram duas estruturas inesperadas: manchas brancas misteriosas na cratera Occator que, na verdade, são jazidas claras de minerais que refletem luz, e o monte singular piramidal Ahuna, com quatro quilómetros de altura.
As descobertas das manchas brancas de Occator e da pirâmide de Ahuna forçaram os cientistas a rever as suas teorias relativamente ao surgimento de Ceres e de planetas “embriões”.
Em 2016, Christopher Russell, chefe da missão Dawn, e os colegas identificaram que os dois fenómenos são produtos do criovulcanismo – uma erupção de água relativamente quente e a “salmoura” dos subsolos do planeta anão para a sua superfície.
Além disso, a descoberta do monte Ahuna incentivou os cientistas a pensar se essa forma de relevo seria a única em Ceres, como resultado do impacto de um asteróide, da formação de rocha com o passar do tempo ou a possibilidade de terem sido erguidas sobre a superfície do planeta anão no passado e, posteriormente, irem desaparecendo.
“Acreditamos ter provas suficientes para falar sobre a existência de muitos criovulcões no planeta anão Ceres no passado, que não conseguimos ver devido às deformidades”, diz Michael Sori, investigador da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, no artigo publicado no jornal Geophysical Research Letters.
“Imaginemos que na Terra só existia um único vulcão. Seria uma coisa muito estranha, por isso é normal que haja mais vulcões em Ceres”, explica o astrónomo.
Ahuna é um monte bastante jovem, que surgiu há 200 milhões de anos no máximo. Simplesmente não teve tempo para se deformar”, acrescenta o cientista.
Russell, Sori e outros investigadores analisaram a veracidade de todas essas teorias através da elaboração de um modelo eletrónico do subsolo do planeta anão.
Ao contrário da Terra e de outros planetas, as camadas do solo do planeta anão são principalmente compostas por gelo. A baixíssimas temperaturas, o gelo torna-se quase tão firme como as rochas “reais” mas, ao mesmo tempo, mantém a sua fluidez.
Isso significa que, com o passar do tempo, um monte formado de gelo espalha-se pela planície à sua volta, cobrindo-a com uma camada de água congelada. Esse processo, segundo os cientistas, poderia “fazer desaparecer” todos os traços de episódios prévios de criovulcanismo.
Ao considerar esta ideia, os cientistas calcularam o tempo necessário para que o monte Ahuna desaparecesse e quais os traços que poderiam ser deixados para trás. De acordo com as suas estimativas, a altitude do monte poderá diminuir rapidamente – em dezenas de metros a cada um milhão de anos.
Consequentemente, a sua cúpula poderá ser vista da órbita durante um curto prazo de tempo, geologicamente falando, de aproximadamente 100 milhões de anos, acabando por desaparecer depois.
Essas estruturas compressas, segundo apontam os geólogos, já foram encontradas na superfície de Ceres, até mesmo nos arredores do “monte piramidal”.
Agora, os cientistas estão a investigar as fotografias de outras partes do planeta anão, em busca de novos traços de criovulcões, ajudando, assim, a entender com qual frequência aconteciam erupções vulcânicas em Сeres – e qual seria o motivo para os vulcões entrarem em ação.
FONTE // Sputnik News