escritor poeta, radialista,

sexta-feira, 20 de março de 2015

Cruithne: a Terra teria mesmo duas Luas como dizem por aí?

A descoberta de um asteroide de cerca de 5 km de comprimento em 1986, despertou a atenção dos astrônomos e do público em geral. O objeto tinha uma órbita tão incomum que quando visto da Terra dava a impressão que orbitava nosso planeta e muitos chegaram a chama-lo de segunda Lua.
Asteroide 3753 Cruithne

Batizado de 3753 Cruithne, o objeto é mais um dos milhares de asteroides que repentinamente cruzam a órbita da Terra.
Normalmente, essas rochas passam pelo nosso planeta e seguem sua jornada ao redor do Sol, mas no caso de Cruithne uma rara interação gravitacional o colocou em uma órbita do tipo ferradura, produzindo um padrão orbital bastante estranho.

Se você pudesse observar órbita de Cruithne de fora do nosso Sistema Solar, não teria qualquer dúvida que o asteroide orbita o Sol, mas de forma um pouco diferente das elipses comuns.
O motivo é que Cruithne é fortemente afetado pela gravidade terrestre, que achata o padrão orbital e produz uma visão que é no mínimo interessante aos observadores na Terra. Devido à essa interação, ambos os objetos retornam todos os anos na mesma posição dentro das respectivas órbitas, o que causa a falsa impressão que Cruithne gira ao redor do nosso planeta e não do Sol.


De acordo com os cálculos, a atual orbita deverá se manter assim por pelo menos 5 mil anos até que algo inusitado poderá acontecer.

Apesar da falsa impressão, modelos astronômicos indicam que a orbita atual de Cruithne não é estável.

Simulações indicam que Cruithne poderá realmente ser capturado pela gravidade da Terra e tornar-se uma verdadeira Lua.
Os modelos mostram que essa órbita também não será estável e deverá durar mais ou menos 3 mil anos, até que 3753 Cruithne entre novamente na órbita solar. Quem viver verá!





Artes: No topo, concepção artística mostra o 3753 Cruithne. Na sequência, diagrama mostra o trajeto que Cruithne descreve ao redor da Terra. No vídeo, a representação pode ser vista com mais detalhes, enquanto a animação mostra a dinâmica de modo mais simplificado. Créditos: Celestia Software, Wikipedia, Youtube, Apolo11.com.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Nesta sexta-feira tem eclipse Total do Sol. Não perca!

Na próxima sexta-feira, dia 20, Lua e Sol terão um encontro fascinante que vai dar o que falar. A Lua encobrirá o astro-rei e a clara manhã do hemisfério norte se transformará em uma gélida noite repleta de estrelas.
Eclipse total sol negro

O eclipse desta sexta-feira será total e poderá ser observado na Europa, Islândia, norte da África e norte da Ásia. No Brasil o eclipse não será visível e o Sol ainda nem terá nascido quando o evento estiver começando.

O início do eclipse terá início às 04h41 da manhã brasileira (BRT), quando a borda da Lua tocar o disco solar. Isso acontecerá sobre quando os astros estiverem sobre o Atlântico Ocidental a 650 km a leste da costa de Labrador, no Canadá e a 450 km do extremo sul da Groenlândia.

O ápice do fenômeno ocorrerá às 06h45 da manhã, quando Sol e Lua estiverem a nordeste de Faroe, uma pequena ilha situada entre a Escócia e a Islândia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas. Ali é onde eclipse deverá durar mais tempo, cerca de 2m47s.
Mapa do eclipse de marco de 2015
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Toda a Europa poderá contemplar o evento. Em Paris, os franceses verão a totalidade acontecer as 10h30 do horário local, enquanto os portugueses de Lisboa verão às 09h01.
O fim do eclipse ocorrerá às 08h50 BRT, após quase quatro horas de show astronômico, com a sombra da Lua praticamente sobre o polo norte,

Eclipse Solar
Um eclipse solar total acontece sempre que a Lua se posiciona exatamente entre o Sol e a Terra, bloqueando completamente o disco da estrela. Nestas condições o céu se torna completamente escuro e estrelas e planetas podem ser vistos durante o momento da totalidade.

O eclipse total ocorre com a Lua no perigeu ou próximo dele, ou seja, quando está mais próxima da Terra. Quando está mais afastada seu tamanho aparente não encobre completamente o disco solar e um arco luminoso é observado ao redor da Lua. Nestas condições o eclipse passa a ser do tipo parcial.


Eclipse Repetido
Muitos dos que estão lendo esse artigo provavelmente não se lembram, mas no dia 9 de março de 1997 o céu também foi palco de um eclipse total. E o que é mais interessante, igualzinho a este que teremos na sexta-feira. Em outras palavras, esse é um eclipse repetido.

Essa repetição ocorre devido a um ciclo natural conhecido como Ciclo de Saros, que é um período de 18 anos, 11 dias e 8 horas no qual algumas efemérides da Lua fazem com que um eclipse semelhante volte a se repetir. Isso significa que daqui a 18 anos e 11 dias teremos um eclipse total igual a este, exatamente em 30 de março de 2033.

Artes: no topo, foto do eclipse solar total ocorrido em 2008 e clicado pelo astrofotógrafo Miloslav Druckmuller. Na sequência, mapa mostra o caminho da sombra da Lua e os locais de melhor visibilidade do fenômeno. Acima, esquema de como acontece um eclipse solar. Créditos: Apolo11.com