escritor poeta, radialista,

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Brasileiros recusam jornada do Mais Médicos e são afastados em Alagoas

Dois médicos foram dispensados após recusarem carga de 40 horas.
Um terceiro se apresentou sem formalizar o termo de adesão do programa.

Waldson CostaDo G1 AL

A divergência entre a jornada de trabalho estabelecida pelo contrato do governo federal diante do programa Mais Médicos e a pretendida por alguns profissionais resultou, nesta segunda-feira (2), no afastamento de dois médicos brasileiros que deveriam atuar nos municípios alagoanos de Branquinha ePenedo. Segundo a presidente do Colegiado de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems/AL), Normanda Santiago, eles se recusam a trabalhar 40 horas na atenção básica e propõem uma jornada de apenas 16 horas, o que corresponde a apenas 40% do tempo necessário de dedicação.

“A informação dessa divergência chegou hoje ao Cosems. Como os médicos disseram que não têm como dedicar 40 horas à atenção básica de saúde, os secretários dos municípios preferiram dispensá-los. É importante salientar que esta é uma questão isolada. Esses são apenas os primeiros médicos a chegar a Alagoas”, expôs Normanda.

Diante do impasse, o médico brasileiro Adalberto Tadeu Cabral, inscrito para atuar em Branquinha, e o médico inscrito para atuar no município de Penedo, que não teve a identidade confirmada, foram dispensados e devem ser afastados em definitivo do programa federal.

“A carência de médico para a atenção básica de saúde existe e a expectativa pelo profissional é grande. Porém, não temos como aceitar a condição proposta pelo médico Adalberto Tadeu, que disse só poder atuar por 16 horas semanais. Sem opção, tivemos que dispensá-lo, e aguardamos que ele seja substituído por outro que possa cumprir a carga horária”, falou a secretária de saúde Branquinha, Maria Isabel Lima.

“Nesta terça-feira teremos uma videoconferência com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representantes do ministério para discutir diversas questões sobre o programa. Lá, vamos apresentar essas novas questões para que sejam tomadas as providências. Quanto aos médicos que se recusam a adotar a jornada de trabalho de 40 horas, acredito que eles podem ser afastados do programa federal por não atenderem as exigências pré-estabelecidas”, disse a presidente do Cosems/AL.

Segundo a presidente do Cosems/AL, este não foi o único problema envolvendo a vinda dos médicos brasileiros para atuar em 11 municípios alagoanos. “Na Barra de São Antônio, a médica que chegou não havia finalizado o termo de inscrição. Por isso, ela não pode atuar de imediato. Já em Coité do Noia, o município já havia conseguido um outro médico para a função e preferiu dispensar o profissional que chegou para trabalhar lá. Assim, todas essas questões serão resolvidas nesta terça-feira durante debate com os representantes do Ministério da Saúde”, completou Normanda Santiago.

Dilma faz reunião de emergência com ministros sobre espionagem

Figueiredo (Itamaraty) e Amorim (Defesa), entre outros, estão no Planalto.
Fantástico mostrou que Dilma foi alvo de ação de espionagem dos EUA.

Priscilla MendesDo G1, em Brasília

 A presidente Dilma Rousseff convocou para a manhã desta segunda-feira (1) uma reunião de emergência. O encontro com ministros, segundo o G1 apurou, trata da denúncia, feita no Fantástico deste domingo (2), de que a presidente Dilma Rousseff foi alvo de espionagem do governo dos EUA.
A reunião, no Palácio do Planalto, começou por volta das 10h e teve participação dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Luiz Alberto Figueiredo (Itamaraty), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Helena Chagas(Comunicação Social), Paulo Bernardo (Comunicações) e Celso Amorim (Defesa).
Mais cedo, Figueiredo, se reuniu com o embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon. A reunião, no Palácio do Itamaraty, foi marcada para tratar sobre a denúncia. Após a reunião, o embaixador Thomas Shannon saiu sem falar com a imprensa. O Itamaraty e a embaixada americana ainda não comentam o que foi dito pelo ministro e pelo embaixador no encontro.
Cronologia Snowden (Foto: Arte/G1)
Na noite de domingo, após a reportagem ter revelado que a presidente Dilma era alvo das ações de espionagem, o governo já havia manifestado que iria pedir explicações para Thomas Shannon.
Denúncia
Documentos classificados como ultrassecretos, que fazem parte de uma apresentação interna da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pelo Fantástico, mostram a presidente Dilma Rousseff, e o que seriam seus principais assessores, como alvo direto de espionagem da NSA. Um código indica isso.
O jornalista Glenn Greenwald, coautor da reportagem, foi quem recebeu os papéis das mãos de Edward Snowden - o ex-analista da NSA que deixou os EUA com documentos da agência com a intenção de divulgar o sistema de espionagem americano no mundo.
Glenn afirmou que recebeu o documento na primeira semana de junho, quando esteve com Snowden em Hong Kong. “Ele me deu esses documentos com todos os outros documentos no pacote original.”
O pacote tinha milhares de documento secretos. Glenn analisou esses papéis com Snowden durante uma semana em Hong Kong. Pouco depois, Snowden fugiu para a Rússia, onde passou 38 dias na área de trânsito do aeroporto de Moscou, até ter seu pedido de asilo aceito no país.
Durante a produção, a reportagem conversou com Snowden por um programa de bate-papo protegido contra espionagem. Escondido em algum ponto do território russo, ele disse que por exigência do governo local não pode comentar o conteúdo dos papéis, mas disse que acompanha a repercussão que os documentos estão tendo pelo mundo, inclusive no Brasil.
Fantástico: como é que a gente pode avaliar o documento e saber se foram operações que foram consumadas, e não apenas projetos?
“Ficou muito claro, com esses documentos, que a espionagem já foi feita, porque eles não estão discutindo isso só como alguma coisa que eles estão planejando. Eles estão festejando o sucesso da espionagem”, afirmou Glenn.
Os documentos mostram que foi feita espionagem de comunicações da presidente Dilma com seus principais assessores. Também é espionada a comunicação dos assessores entre eles e com terceiros.
A apresentação secreta se chama "filtragem inteligente de dados: estudo de caso México e Brasil." Segundo a apresentação, o programa possibilita encontrar, sempre que quiser, uma "agulha no palheiro."