escritor poeta, radialista,

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um mistério brilhante em Ceres

POR SALVADOR NOGUEIRA

A espaçonave Dawn, da Nasa, está prestes a chegar ao planeta anão Ceres, maior objeto do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. E um misterioso ponto brilhante detectado pela sonda, ainda sem explicação concreta do que possa ser, intriga os cientistas.
Imagem de Ceres obtida pela Dawn a 46 mil km do planeta anão revela dois misteriosos pontos brilhantes na superfície. (Crédito: Nasa)
Imagem de Ceres obtida pela Dawn a 46 mil km do planeta anão, divulgada ontem, revela dois misteriosos pontos brilhantes na superfície do planeta anão. (Crédito: Nasa)
Na verdade, não um. À distância, parecia um só. Mas, conforme a sonda se aproximou mais do astro e obteve novas fotos, ficou claro que são de fato pelo menos dois focos brilhantes, ambos no interior de uma mesma cratera.
“O ponto mais brilhante continua a ser muito pequeno para detalharmos com nossa câmera, mas, apesar de seu tamanho, ele brilha mais que qualquer outra coisa em Ceres. Isso é realmente inesperado e ainda um mistério para nós”, disse Andreas Nathues, pesquisador-chefe da câmera de enquadramento da sonda e cientista do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha. O que será?
De início, imaginava-se que pudessem ser crateras recentes, com gelo exposto em seu interior. Agora, outra hipótese começa a emergir — vulcanismo. Mas não como o da Terra, com magma derretido, mas criovulcanismo, que envolve vulcões que expelem água!
Ceres, por outros dois ângulos, a 46 mil km de distância, fotografado em 19 de fevereiro (Crédito: Nasa)
Ceres, por outros dois ângulos, a 46 mil km de distância, fotografado em 19 de fevereiro (Crédito: Nasa)
Sabemos que Ceres tem grandes quantidades de gelo no subsolo, e o Observatório Espacial Herschel chegou a detectar plumas de vapor d’água emanando do pequeno planeta anão, com cerca de 950 km de diâmetro. Se bobear, o astro pode até ter condições para a existência de vida, se houver fontes de calor capazes de manter a água em estado líquido no subsolo — o que o criovulcanismo, se for confirmado, parece sugerir.
Contudo, ainda é cedo para fazer quaisquer afirmações. Logo saberemos do que se trata, conforme a sonda chegar ainda mais perto — ela está no momento a cerca de 39 mil km de seu destino, o que equivale a apenas um décimo da distância que separa a Terra da Lua.
O empolgante mistério é uma boa medida do quanto estamos entrando em território inexplorado com esta missão. A expectativa é grande para a inserção orbital da Dawn em órbita de Ceres, o que vai acontecer no próximo dia 6.
Fique ligado, pois a primeira grande aventura do ano dos planetas anões está apenas começando. E, em julho, teremos Plutão!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Ruptura em filamento arremessa toneladas de partículas ao espaço

Uma poderosa explosão solar foi observada na manhã de sábado na face oposta da estrela e foi causada pelo rompimento do gigantesco filamento que dias antes estava voltado de frente para a Terra.

A ejeção de massa coronal, CME, ocorreu às 10h40 UTC (08h40 pelo horário de verão de Brasília) e lançou ao espaço bilhões de toneladas de partículas carregadas a mais de 1000 km/s.
A forte explosão foi detectada por diversos satélites que monitoram o Sol, entre eles o telescópio espacial SOHO e o satélite Stereo-A, que atualmente observa a face oposta do Sol, onde ocorreu a ruptura.
O evento ocorreu alguns dias depois que o mesmo filamento estava posicionado em direção à Terra e que devido ao gigantesco tamanho - mais de 700 mil km de comprimento - foi motivo de duas transmissões ao vivo feitas pelo Apolochannel, o canal de vídeo do Apolo11.

Ruptura de Filamento solar
Na ocasião das transmissões nós mostramos o Sol ao vivo e explicamos sobre a origem do filamento, além de comentar sobre um possível rompimento e suas consequências.


O que é um Filamento
Um filamento solar é uma espécie de trilha de plasma que se forma na região da cromosfera e que se mantêm contida pela ação dos intensos campos magnéticos que envolvem o gás.

Normalmente, os filamentos solares são pequenos e ocupam entre 50 mil e 100 mil km de extensão, mas em algumas ocasiões podem crescer muito e formar longas estradas. A espessura varia pouco, quase sempre ao redor de 1000 km de largura, mas podem se erguer a mais de 120 mil km de altura, formando gigantescas cordilheiras de gás incandescente.
As labaredas vistas no limbo do Sol nada mais são que os filamentos vistos contra o fundo negro do espaço. Quando isso acontece passam a se chamar proeminências.
O rompimento de um filamento pode ocorrer por diversos motivos, entre eles alguma instabilidade no campo magnético que o envolve ou então quando a pressão do gás aprisionado se torna tão elevada que o campo magnético não consegue mais conte-lo.

Quando isso acontece, o gás que estava aprisionado se expande abruptamente em direção ao espaço. Se o filamento é pequeno, o gás retorna à superfície do Sol atraído pela intensa gravidade e magnetismo. Caso o filamento seja muito denso, o gás é arremessado tão violentamente que pode escapar do domínio solar e viajar para muito longe e chegar aos diversos planetas do sistema.
Caso atinjam a Terra, as partículas ejetadas podem provocar as chamadas tempestades geomagnéticas, que em sua forma mais branda podem ser vistas na forma das auroras polares. Quando as tempestades são muito intensas podem causar danos bastante sérios em linhas de transmissão de energia, equipamentos a bordo de satélites e panes em sistemas de comunicação e orientação.

O rompimento deste filamento não aconteceu quando este estava voltado para a Terra e a ejeção foi direcionada rumo ao espaço profundo, na direção do planeta Mercúrio, que também não foi atingido.