escritor poeta, radialista,

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Nasa: descoberto primeiro exoplaneta habitável do tamanho da Terra

Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho semelhante ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que o torna habitável.
A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra na nossa galáxia, a Via Láctea, segundo uma equipe internacional de astrônomos liderada por um profissional da Nasa. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira da revista científica americana Science.
"É o primeiro exoplaneta do tamanho da Terra encontrado na zona habitável de outra estrela", destaca Elisa Quintana, astrônoma do centro de pesquisas Ames, da Nasa, que ficou à frente da pesquisa.
"O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre e está em órbita ao redor de uma estrela classificada como anã, menor e menos quente do que o sol, na zona temperada onde a água pode ser líquida", afirmou.
Considera-se que esta zona seja habitável poque a vida como a conhecemos tem possibilidades de se desenvolver naquele ambiente, segundo os pesquisadores.
Para Fred Adams, professor de Física e Astronomia da Universidade de Michigan, "trata-de de um passo importante na busca para descobrir um exoplaneta idêntico à Terra".
Nos últimos vinte anos foram detectados cerca de 1.800 exoplanetas, dos quais cerca de vinte orbitam ao redor de sua estrela em uma zona habitável. Mas esses planetas são muito maiores do que a Terra e, por isso, é difícil, devido ao seu tamanho, determinar se são de composição gasosa ou rochosa.
Segundo modelos teóricos sobre a formação planetária, estabelecidos a partir de observações, os planetas que têm raio 1,5 vez inferior ao da Terra têm poucas chances, por causa do seu tamanho, de acumular uma atmosfera espessa como os planetas gasosos gigantes do nosso sistema solar."Nestes anos aprendemos que há uma transição líquida entre os exoplanetas cujo raio é 1,5 vez o da Terra", explica Stephen Kane, um astronauta da Universidade de San Francisco, co-autor da descoberta.
"Quando o raio é entre 1,5 e 2 vezes o do raio terrestre, os planetas são grandes o suficiente para acumular uma atmosfera espessa de hidrogênio e hélio", acrescentou.
O exoplaneta Kepler-186f tem raio 1,1 vez maior do que o da Terra e entra na categoria de planetas rochosos do nosso Sistema Solar, como Terra, Marte e Vênus.
"Levando em conta o pequeno tamanho do planeta, tem grandes possibilidades de ser rochoso e ter uma atmosfera. Se essa atmosfera oferecer boas condições, a água pode existir em estado líquido na superfície", explica à AFP Emelie Bolmont, pesquisadora da Universidade de Bordeaux, França, que participou da descoberta.
Bolmot acrescentou que, para se ter certeza de que é realmente rochoso, "seria preciso obter a massa do planeta, o que não é possível com os instrumentos atuais".
O Kepler-186f está em um sistema estelar situado a 490 anos-luz do Sol (um ano luz = 9,46 trilhões de quilômetros) e conta com outros cinco planetas, todos de tamanho parecido com o da Terra, mas situados fora da zona habitável.
Em novembro de 2013, os astrônomos consideraram que existem bilhões de planetas de tamanho terrestre potencialmente habitáveis. Essa conclusão se baseia nas observações do telescópio espacial Kepler, lançado em 2009 para esquadrinhar mais de 100 mil planetas similares ao nosso e situados nas constelações de Cisne e Lira.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Existe vida na Terra? Provavelmente sim, diriam os extraterrestres!

Utilizando poderosos instrumentos apontados para o céu, os astrônomos já conseguiram descobrir centenas planetas extrasolares, mas nenhum deles parece ser capaz de suportar a vida como na Terra.
Mas o que diriam os extraterrestres se estivessem procurando vida fora de seus planetas? Observando com telescópios ligeiramente maiores e mais poderosos que os nossos, poderiam eles estudar a Terra e deduzir que aqui é um planeta com vida?



Esse é o centro da questão de um estudo elaborado por astrônomos ligados à Universidade de Flórida e publicado há alguns anos na edição on-line do periódico Astrophysical Journal.
A resposta para a pergunta, segundo seus autores, é "sim". Com um telescópio maior que o Hubble apontado diretamente para nosso Sol, "observadores hipotéticos" poderiam medir o período de rotação de 24 horas da Terra, especular sobre a movimentação dos oceanos e as probabilidades de vida.
"Eles veriam a Terra como um único pixel e não como uma fotografia", disse Eric Ford, professor de astronomia da Universidade da Flórida e um dos cinco autores do estudo. "Mas isso pode ser mais que suficiente para identificar nosso planeta como tendo nuvens e oceanos de água líquida", explicou.
Essa pesquisa pode até parecer excêntrica, mas tem um objetivo muito sério: fornecer referências aos astrônomos que buscam planetas similares à Terra fora do sistema solar. "Esse é um trabalho que deverá se intensificar cada vez mais nas próximas décadas, graças à maior potência e disponibilidade dos telescópios", confirmou Enric Palle, outro participante do estudo e ligado ao Instituto de Astrofísica de Canárias.


Desafio
Para os observadores humanos ou extraterrestres procurar por planetas habitáveis é um grande desafio. O planeta não pode estar muito perto ou muito longe da estrela, o que poderia tornar sua superfície quente ou fria demais. A distância ideal é chamada de "Zona Habitável". Além disso, o candidato a abrigar vida precisaria ter uma atmosfera capaz de prover diversos tipos de proteção, desde radiações danosas a meteoritos que vêm do espaço.

Em sua maioria, os planetas encontrados fora do sistema solar são muito maiores que a Terra, principalmente gigantes gasosos similares a Júpiter, um lugar completamente inabitável, com nenhuma superfície sólida e atmosfera composta na maior parte por hidrogênio e hélio.
Para ajudar no trabalho das observações, os astrônomos estão começando a planejar os futuros telescópios, capazes de detectar diretamente os planetas que tenham tamanhos similares à Terra e que estejam dentro da zona habitável. O maior desafio será usar a própria luz refletida pelo planeta e confirmar se sua atmosfera e superfície são similares às da Terra.
Ford e seus colegas acreditam que para vencer esse desafio é necessário saber como a Terra seria vista se observada por extraterrestres hipotéticos.


Observando a Terra
Os astrônomos reconhecem que mesmo usando telescópios poderosos, seria necessário observar a Terra por diversas semanas a fim de captar luz suficiente para identificar a química da atmosfera. Durante essas observações o brilho da Terra sofreria alterações, primeiramente devido à movimentação das nuvens dentro e fora do campo visual.

Se os astrônomos-ETs tentarem medir o período de rotação da Terra, poderiam então saber quando determinada área do planeta estaria iluminada. O problema é que eles não estariam seguros quanto à mudança dos padrões das nuvens, que se altera de forma caótica. Isso praticamente tornaria impossível determinar o período de rotação da Terra diretamente.
Baseado em dados coletados por satélites de sensoriamento remoto, Ford e sua equipe criaram um modelo de brilho da Terra, revelando que em escala global a cobertura de nuvens do nosso planeta é muito consistente, com as florestas tropicais quase sempre nubladas, as regiões áridas limpas, etc. Como resultado, os astrônomos extraterrestres que estivessem observando a Terra por diversos meses iriam notar a repetição dos padrões. Segundo Ford, o estudo dessa repetição por um longo tempo permitiria calcular o período de rotação de 24 horas.
Calculado o período de rotação, os astrônomos extraterrestres poderiam inferir que as anomalias de brilho seriam causadas por mudanças no padrão meteorológico, mais especificamente por nuvens. Apesar de que diversos planetas são muito nebulosos, a repetida presença ou ausência de nuvens sempre indica alguma atividade meteorológica. Na Terra, essa variabilidade resulta da transformação da água em vapor e novamente em água. Dessa forma, possíveis variações similares que forem detectadas em outros planetas poderiam indicar a presença de água líquida.
"Vênus está sempre coberto de nuvens, Seu brilho nunca muda. Marte praticamente não tem nuvens. A Terra, no entanto, apresenta uma enorme quantidade de variações", diz Ford. O cientista também explica que as mudanças nos padrões de brilho também podem indicar a presença de continentes e massas de água.

A pesquisa também deverá ajudar na construção de novos telescópios espaciais, já que norteará na elaboração das características requeridas para estudar a superfície de planetas similares à Terra. Segundo Ford, o estudo mais aprofundado de planetas dentro da zona habitável irá requerer a construção de um telescópio pelo menos duas vezes maior que o Hubble.